“Para os seus verdadeiros torcedores, o que vale é o caráter superior que inspirou a sua fundação e que está presente na alma de cada banguense.”

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Bangu Atlético Clube - Campeão Carioca em 1966

Aconteceu há 51 anos: Bangu 3 x 0 Flamengo; Após 33 anos o título volta para Bangu.

No livro NÓS É QUE SOMOS BANGUENSES, do importante pesquisador da história do Bangu Atlético Clube, Carlos Molinari, mais precisamente no capítulo dedicado ao ano de 1966, é citado um artigo do jornal A Tribuna, de 19 de dezembro de 1966, com o título “A FESTA DA VITÓRIA”. O texto é aberto com o seguinte parágrafo: “Um, dois, três, se não foge cai de seis" – esse o cântico, misto de alegria e sadismo da população de Bangu, tomou literalmente a Avenida Cônego Vasconcelos, desde a estação de trem até a sede do clube, onde duas orquestras animaram o carnaval da vitória.”. Não me recordo de ter ouvido esse canto da torcida, mas da festa, da expressão de alegria dos banguenses, lembro-me bem e até hoje me delicio com as recordações dos acontecimentos daquele dia. 
Chamada do Jornal Última Hora - Edição Vespertina de 17/12/1966 - 1ª Página
(http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/uh_digital/index/2886)
No sábado, 17/12/1966, o jornal Última Hora, destacou na 1ª página da sua edição vespertina: "Bangu: Desta Vez Vamos". No domingo, 18/12/1966, o bairro amanheceu colorido; não com as cores típicas do natal, já tão próximo, mas sim com um vibrante branco e vermelho, tradutor do otimismo pulsante em cada coração banguense, tão carentes de um título.

Dia de festa na distante Zona Rural carioca (ainda não havia a denominação “Zona Oeste”). Desde cedo um desfile de moradores vestindo os mais variados modelos de camisas alvi rubras, dos oficiais aos improvisados, pessoas de todas as idades, da mais tenra a mais provecta, indicativo de que a torcida banguense se não cresce exponencialmente, cresce linearmente, na proporção da população local. Os mais jovens assumem, naturalmente, o posto daqueles que partem para outros planos da existência.

“Em Bangu se o clube vence é na certa um feriado, comércio fechado...”, diz os versos da marchinha de Lamartine Babo, oficializada como hino do clube. Não era feriado, mas o comércio fechou. O clube venceria? Venceu! E venceu bem, porque “O Bangu tem também a sua história e sua glória, enchendo seus fãs de alegria...”. Venceu e foi campeão! Que doce combinação de fatos. 
Desde 1933, quando conquistou seu primeiro título, justamente na inauguração do profissionalismo no campeonato carioca (profissionalismo que teve no Bangu um valente determinado defensor), os tradicionais Mulatinhos Rosados amargavam um angustiante jejum de títulos e viviam na incômoda situação de ser um clube de pequena torcida, com pretensões a ser um grande no futebol carioca. 

Não obstante, a tarde daquele domingo se fazia mágica. O forte e abafado calor, característico do fim da primavera, deixava os corações apertados, "a torcida reunida...” ocupa quase quarenta por cento do Maracanã (é claro que “engrossada” por vascaínos, botafoguenses, americanos e tricolores), o time entra em campo com seu tradicional uniforme de camisas listradas com calções e meias brancos, as bandeiras, muitas bandeiras, tremulam e “espoucam foguetes no ar...”.
Fonte: Arquivo de Rogèrio Melo
Depois da tensão dos minutos iniciais, o time alvi rubro iniciou o seu show. Enquanto Ubirajara garantia a invulnerabilidade da sua meta, Cabralzinho, Ocimar, Aladim e Paulo Borges brilhavam no gramado, apoiados por Fidélis, Ladeira, Ari Clemente, Mário Tito, Jaime e Luiz Alberto. A máquina de fazer gols (foram 50 nesse campeonato)começou a funcionar na segunda metade do primeiro tempo; Ocimar aos 23 minutos e Aladim aos 26, construíram o placar da primeira etapa. No segundo tempo, logo aos três minutos, o artilheiro do campeonato – Paulo Borges – marcou o terceiro gol do Bangu. Era o título!


Fotos do jornal Última Hora - Edição Matutina de 19/12/1966 - 1ª e 2ª páginas
(http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/uh_digital/index/2891)
A torcida bebeu desse néctar delicioso que emana das vitórias. Gritos de“é campeão”, “está chegando a hora”, “já ganhou”, há muito ausentes na torcida banguense, ressurgiram, de início timidamente para depois explodirem espontâneos e soltos, ecoando em todo o Estádio do Maracanã.
Coluna de Jacinto de Thormes no Jornal última Hora - Edição Matutina de 19/12/1966
(http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/uh_digital/index/2891)
 
Coluna de João Saldanha no Jornal última Hora - Edição Matutina de 19/12/1966
(http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/uh_digital/index/2891)
Com relação ao lamentável espetáculo proporcionado pelos rubro negros, prefiro ignorá-lo, por não ser compatível com o esporte. A vitória consagrou a brilhante campanha do time comandado pelo argentino Alfredo Gonzáles. Em 18 jogos foram 15 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota. O ataque marcou 50 vezes e a defesa foi sofreu somente 8 gols. O atacante Paulo Borges balançou as redes adversárias 16 vezes, tornando-se o artilheiros da competição. O grande destaque da equipe foi a maturidade, demonstrada no segundo turno (o time terminou o primeiro turno sendo derrotado pelo Flamengo), com um aproveitamento de 100% e a equipe marcando nunca menos de três gols por jogo (foram 22 em 8 jogos). O Bangu cumpriu, nesse campeonato, uma trajetória para não deixar nenhuma dúvida com relação à conquista do título. Chegava ao fim a caminhada; nesse ano a festa seria na Zona Rural, mas todos estavam convidados para comemorar com o Bangu C A M P E Ã O.
Foto do Jornal última Hora - Edição Matutina de 19/12/1966
(http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/uh_digital/index/2891)
Nesse dia em que recordamos a bela conquista do Bangu Atlético Clube em 1966, cabe uma reflexão, não só para os banguenses, torcedores ou dirigentes, mas para todos os amantes do futebol: É aceitável que um clube com um passado riquíssimo (histórica e sociologicamente falando) como é o do Bangu, vá se consumindo por conta de uma dose muito forte de passividade, acomodação e incompetência? É possível que no mundo moderno, extremamente comercial e consumista, com tantos recursos de mídias, o Bangu Atlético Clube, muito próximo de completar 114 anos (acontecerá daqui a 4 meses), com uma marca potencialmente conhecida, não consiga qualquer tipo de parceria comercial-esportiva que o reconduza ao lugar que sempre ocupou e mereceu ocupar no cenário nacional?

Pensemos, todos sobre isso! 

Fontes: Bangu.NET (o mais completo portal sobre o Bangu Atlético Clube) / Arquivo público do Estado de São Paulo / Arquivo de Rogério Melo / Meus registros pessoais.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Assim não dá!

A torcida do Bangu, carente de títulos e bons resultados, está trilhando o perigoso caminho da intolerância.

A preparação começou por esses dias, nem sabemos quem está sendo escalado; os times do Bangu que jogaram agora contra o Bonsucesso FC (0 x 1) e contra o América FC (0 x 0) estariam formador pelos principais jogadores do elenco? Ninguém sabe! O Fut Rio não informa as escalações e os treinos são fechados ao público. O certo é que não temos elementos para emitirmos juízo de valor.

Então vamos parar de chororô e de lamentações excessivas. Vamos apoiar o clube do nosso coração, o nosso alvirrubro, e pensar positivamente. Sofrer agora, sem motivos, de nada adiantará. Se no Campeonato Carioca o Bangu se apresentar mal, aí sim, nós "caímos de pau". De nada adianta essas reclamações pontuais ao sabor de resultados insignificantes.

Somente para que se tenha noção do que significam esses jogos-treino, no início de 2017, o Flamengo em sua preparação para a temporada desse ano, perdeu para o Vila Nova de Goiás e para o Serra Macaense (ambos por 2 x 1). O que isso significou? NADA! O time foi campeão carioca em 2017.

 "Quem morre de véspera é peru de natal".

Temos que esperar para o trabalho ficar pronto e colocado em prática. Imaginem se o cliente de um alfaiate vai achar o seu terno mal feito, quando ele ainda está somente cortado e alinhavado. Imaginem se o dono de uma mansão vai considera-la horrível, quando o prédio ainda está "no osso", todo cheio de poeira de cimento e terra. Imaginem se a madame vai achar seu novo nariz feio, quando ele está ainda com o curativo.

Tudo na vida tem seu tempo de construção, para somente depois de pronto ser admirado ou criticado.Um enófilo que beba de um MALBEC francês recém produzido, o achará "terríble"; no entanto quando o fizer daqui a dez anos o achará "divin". Sejamos sábios e concedamos o tempo certo para o trabalho do nosso "cabeça" dar frutos.


Chorar faz mal ao coração; sorrir faz um grande bem. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Mais uma inquestionável vitória do Bangu, o credenciava para a disputa da grande final do Campeonato Carioca de 1966

Aconteceu há 51 anos: Bangu 3 x 1 Fluminense; Uma exibição quase perfeita e o passaporte para a final.

Por obra desses mistérios que sempre assombraram o futebol carioca, o Flamengo havia jogado pela penúltima rodada o “clássico” contra o América, na sexta feira, 9 de dezembro. Depois de dois empates em 1 x 1 contra Fluminense e Botafogo e de ter entregue a liderança ao Bangu, os rubro negros venceram a equipe da Rua Campos Sales pelo magro placar de 1 x 0 (gol de Silva, o Batuta), numa sexta feira em que mais de trinta mil fanáticos flamenguista ocuparam pouco mais da quarta parte do Maracanã.

Diante da vitória rubro negra, o Bangu via-se na obrigação de vencer o Fluminense no “clássico” de Domingo, para não perder a vantagem de jogar pelo empate, que poderia ter no jogo final contra o Flamengo. Alfredo Gonzáles sabia da superioridade do seu time em relação ao tricolor, que, com a vitória do Flamengo, já não tinha mais possibilidade matemática de chegar ao título. Mas o argentino não queria em campo um time jogando pelo empate, queria a vitória, resultado que daria autoridade ao seu time para enfrentar os rubro negros na final. Fidélis, recuperado da lesão sofrida no jogo contra o América, que o deixara fora da partida contra no Vasco, estava de volta ao time e isso deixava Gonzáles mais tranqüilo.

Matériia do Jornal Última Hora - Edição Vespertina de 10/12/1966 - Caderno de Esportes
Enfim, chegou o domingo, 11 de dezembro de 1966. Acordei com certa indisposição e com péssimo humor (estava com problemas com as minhas notas em História e Matemática na Escola Técnica Nacional, o que fatalmente me levaria à “dependência” dessas matérias no ano letivo seguinte). Também a derrota para o mesmo Fluminense no último jogo de 1965, que nos tirou o título, me deixava apreensivo com o jogo. Para completar meu infortúnio nesse domingo quente e abafado, perdi o trem que me faria chegar à estação “Derby Club” antes do início da partida. Nessa época eu morava em Campo Grande, e a composição seguinte só chegaria dentro de mais uma hora. A espera foi angustiante até a chegada do trem; ainda estava entre a Vila Militar e Deodoro, quando pelo “radinho de pilha” ouvi, o início da partida na voz do flamenguista Jorge Curi.

Fotos do Jornal Última Hora - Edição Matutina de 11/12/1966 - Caderno de Esportes

Cheguei ao Estádio quase ao final do primeiro tempo e por sorte, o Maracanã, nesse dia, recebeu somente cerca de 23 mil espectadores, o que me facilitou a compra do ingresso e a entrada para a arquibancada superior. 

Fotos do Jornal Última Hora - Edição Matutina de 11/12/1966 - Caderno de Esportes

Matéria de Geraldo Escobar para o Jornal Última Hora - Edição Matutina de 11/12/1966 - Caderno de Esportes

O gol de Paulo Borges, o primeiro do jogo, ouvi ainda no trem, mas os de Aladim e Jaime eu tive o prazer de assistir lá do último degrau das arquibancadas, onde já soprava uma brisa mais fresca. Valeu o sacrifício para assistir a um belo segundo tempo, com magníficas atuações de Cabralzinho e Paulo Borges. O Bangu venceu por 3 x 1 com uma exibição quase perfeita do time; tivesse evitado o gol de Gilson Nunes e Cabral marcado o quarto gol, teria sido tudo perfeito. Essa vitória trouxe-me de volta o bom humor e a viagem de retorno foi mais alegre, afinal após as perdas de 64 e 65, o Bangu iria disputar mais uma final. 

Matéria do Jornal Última Hora - Edição Matutina de 11/12/1966 - Caderno de Esportes

O Bangu venceu com Ubirajara, Fidélis, Mário Tito, Luís Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Cabralzinho, Ladeira e Aladim. o Técnico foi o argentino Alfredo González. 

Matéria de Jacinto de Thormes para o Jornal Última Hora - Edição Matutina de 12/12/1966 - Caderno de Esportes
Coluna do João Saldanha para o Jornal Éltima Hora - Edição Matutina de 2/12/1966 - Caderno de Esportes
Ilustração do Jornal Última Hora - Edição Matutina de 12/12/1966 - Caderno de Esportes

Fontes: Bangu.NET (o mais completo portal sobre o Bangu Atlético Clube) / Arquivo público do estado de São Paulo / Meus registros pessoais. 

Nota de Créditos: As fotografias do jornal Última Hora, de cuja edição extraímos essas imagens, são de autoria dos fotógrafos Sebastião

domingo, 3 de dezembro de 2017

Outra grande vitória do Bangu, em jogo tranqüilo, fortalecia os seus últimos passos rumo ao Título de 1966

Aconteceu há 51 anos: Bangu 3 x 0 Vasco; a consolidação da maturidade alvirrubra e os passos finais da vitoriosa caminhada alvirrubra.

Se no jogo contra o América, que venceu por 3 X 2 sob uma forte tensão diante dos acontecimentos da partida, o Bangu demonstrou estar maduro, no jogo desse sábado, 3 de dezembro de 1966, contra o Vasco da Gama, consolidou essa maturidade.

Há um pequeno detalhe muito pouco discutido na mídia da época, mas que foi determinante para que os banguenses não fosse esmagado pela imprensa após a tumultuada partida contra o América no dia 26 de novembro de 1966. O jogo foi num sábado. 

Naquela época o alvirrubro enfrentava o América e os quatro grandes cariocas, no Maracanã. Porém, com raras exceções, sempre aos sábados e o acidentado jogo contra a equipe da Rua Campos Sales havia sido no último sábado, 26 de novembro. Como no domingo, 27, seria disputado um Fla x Flu, onde o rubro negro poderia confirmar sua liderança, o Bangu foi esquecido pela imprensa. Com a equipe de folga nesse dia, a reapresentação, para a revisão médica, na segunda feira foi tranquila, pois a poeira do jogo de sábado já havia de diluído no espaço e Alfredo Gonzales teve quatro dias sem perturbações para preparar a equipe para o jogo contra o Vasco da Gama.

Os vascaínos não faziam uma boa campanha; só somavam quinze pontos em dezesseis jogos. O ótimo elenco, tendo a frente Brito e Fontana, contava com Danilo Menezes, Bianchini, Ananias, Lorico, Oldair, Alcir Portela, Maranhão, Joel, Célio e Nado, entre outros, mas não conseguiam bons resultados nas mãos de Zezé Moreira, que acabava de deixar o comando da equipe, sendo substituído interinamente por Eli do Amparo.

Entre os banguenses havia uma dualidade de sentimentos. Na mesma intensidade com que se reconhecia que o time alvirrubro àquela altura do campeonato era superior ao cruzmaltino, também se temia pelo complexo de “time pequeno”, que poderia impedir a vitória no “clássico” desse sábado, 3 de dezembro de 1966.
Matéria de um Matutino carioca, em 04/12/1966
Felizmente prevaleceu a ordem natural das coisas e o Bangu, num jogo onde poderia ter feito até cinco ou seis gols, venceu com supremacia e tranqüilidade por 3 x 0, gols de Aladim (1º), Cabralzinho e Jaime (2º). A Equipe agora somava vinte e oito pontos e assumia a liderança do campeonato, pelo menos até o dia seguinte, domingo, quando o Flamengo (com vinte e seis pontos) enfrentaria o Botafogo).
Matéria de Joaquim Balbino pra o Jornal Última Hora - Edição Matutina de 05/12/1966 (Caderno de Esportes)
O Bangu venceu com Ubirajara, Cabrita, Mário Tito, Luís Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Cabralzinho, Ladeira e Aladim. o Técnico era o argentino Alfredo González.

Estava dado o terceiro grande passo rumo ao título.
Ilustração do Jornal Última Hora - Edição Matutina de 05/12/1966 (Caderno de Esportes)

Fontes: Bangu.NET (o mais completo portal sobre o Bangu Atlético Clube) / Arquivo público do estado de São Paulo / Meus registros pessoais.

domingo, 26 de novembro de 2017

Uma vitória maiúscula do Bangu, em jogo tumultuado, determinou os seus últimos passos rumo ao Título de 1966

Aconteceu há 51 anos: Bangu 3 x 2 América; Os passos finais da vitoriosa caminhada alvirrubra.

O dia 26 de novembro de 1966 poderia ter entrado para a história do Bangu como o Dia da Tragédia Alvirrubra. A equipe banguense, dando continuidade à sua performance do primeiro turno, fazia uma excelente campanha no segundo, arrasando seus adversários nas três primeiras rodadas; já havia vencido o Bonsucesso por 4 x 0, o Olaria por 3 x 1 e o Botafogo por 3 x 0.

O adversário do alvirrubro pela 4ª rodada era o América, que apesar de ter um bom time e ter feito uma boa campanha no primeiro turno, não repetia suas boas atuações no segundo turno. Alfredo González sabia que era um jogo problemático, pois bastava um tropeço nessa partida para que tudo viesse a desmoronar em Moça Bonita.

Mário Tito não podia jogar e Gonzáles jogou uma cartada de risco calculado; deslocou o "baixinho" Fidélis para a zaga central e escalou o jovem Cabrita (então com 20 anos) na lateral direita, ficando assim fragilizado nas bolas alçadas sobre a sua área (Ubirajara também era um goleiro "baixo"), mas fortalecendo tecnicamente o lado direito da sua zaga, que com dois jogadores altamente técnicos (Fidélis e Cabrita), poderia estruturar fulminantes contra ataques por aquele lado do campo.

O Jogo começou tenso; os rubros não queriam perder o clássico bisavô. A partida foi disputada em um clima de tensão que afetava as duas equipes e também seus torcedores. No primeiro tempo o meio campista Ica marcou para o América, mas o Bangu, bem estruturado em campo, reagiu e virou o placar, com dois fulminantes gols de Paulo Borges.
Matéria de Alvaro Queiroz  no jornal Última Hora - Edição Matutina de 28/11/1966 - Caderno de Esportes.
No segundo tempo, o árbitro assinalou um pênalti duvidoso contra o alvirrubro, cometido pelo lateral direito Cabrita. O Diretor de Futebol do Bangu, Castor de Andrade, inconformado com a marcação da penalidade, invadiu o gramado, empunhando uma arma, mas foi contido, sem maior resistência, pelo pessoal que estava dentro do campo. Cobrado o pênalti, Eduardo empatou para os rubros.

O jogo encaminhava para o seu final, quando no último minuto da partida o árbitro, Sr. Idovan Silva assinalou uma penalidade máxima, também duvidosa, contra o América. Apesar das reclamações dos jogadores americanos, a penalidade foi cobrada por Cabralzinho, que assinalou o gol da vitória banguense por 3 x 2, sua quarta vitória consecutiva nesse turno final.

O América reclamou muito, a "imprensa rubronegra" se arvorou em afirmar que havia um complô para tirar o título do Flamengo. Mas no domingo havia o clássico Fla x FLU e a imprensa deixou o Bangu de lado e foi dar atenção ao clássico.

O Bangu venceu com Ubirajara, Cabrita, Fidélis, Luís Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Cabralzinho, Ladeira e Aladim. o Técnico era o argentino Alfredo González.

Estava dado mais um grande passo rumo ao título.
Coluna Hora H (Flash UH) do jornal Última Hora - Edição Matutina de 28/11/1966 - Caderno de Esportes.
Texto Próprio - Direito Reservados
Fontes: Bangu.NET (o mais completo portal sobre o Bangu Atlético Clube) / Arquivo público do Estado de São Paulo / Meus registros pessoais.

sábado, 25 de novembro de 2017

Há 30 anos o Bangu vencia o Sport Club do Recife por 3 x 1, no Estádio Proletário e reacendia a esperança de um Título Nacional.

A Competição.

Em 1987 o Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão, nomeado pela CBF de COPA BRASIL, deveria ser disputado por 28 clubes (do 1º ao 28º colocado), selecionados pela classificação de 1986. Ao Bangu restava jogar duas partidas referentes à temporada passada, já em 1987. Os jogos seriam contra a Ponte Preta, em Campinas, e contra o São Paulo, no Estádio Proletário. Venceu as duas: 2 x 1 na Ponte Preta, em 25/01/1987, e 1 x 0 no São paulo, em 28/01/1987. Com esses resultados o Bangu atingiu 26 pontos ganhos (naquela época a vitória valia somente 2 pontos) e terminou a competição classificado em 21º lugar, garantindo a permanência na 1ª Divisão em 1987.

Mas o futebol brasileiro, que ainda hoje é desorganizado, há 30 anos atrás era desorganizadíssimo. A CBF, a mercantilíssima e corruptissima CBF alegava falta de dinheiro para organizar o Campeonato e devido a isso fez um acordo, que se revelou canhestro, com os Clubes para tornar factível a competição. Nasceu um MONSTRO, denominado COPA UNIÃO. Na onda desse movimento foi gestado um outro aborto: O CLUBE DOS 13, que era composto por 20 Clubes (contando-se isso em Portugal, ao final do expediente, ali nas mesas do Chiado, faz-se os portugueses, já ingeridas algumas bagaceiras, rolarem no chão de tanto rir, chamando o contador, brasileiro, de mentiroso).

Como ficou configurado esse aborto do futebol brasileiro:

1- O grupo de elite, o Módulo Verde, com 16 Clubes (atendendo ao famigerado Clube dos 13), foi formado pelos clubes que estavam entre os 28 primeiros classificados de 1986 e que estavam nas 14 primeiras colocações no Ranking da CBF, complementados por Botafogo e Coritiba (que oficialmente haviam sido rebaixados). Esses clubes disputavam o Troféu João Havelange.

2- O grupo secundário, o Módulo Amarelo, com 16 clubes (incluído pela CBF para colocar sua impressão digital na competição), foi formado pelos 14 clubes que estavam entre os 28 primeiros classificados de 1986 e não foram incluídos no Módulo Verde, complementados por Sport e Vitória (que oficialmente haviam sido rebaixados). Esses clubes disputavam o Troféu Roberto Gomes Pedrosa.

3- Ficou acertado entre a CBF e o Clube dos 13 que ao final da fase de grupos módulos Verde e Amarelo. haveria um quadrangular final (o famoso "cruzamento", do qual não há referência no regulamento, sendo uma criação do Flamengo e do Internacional) entre os 1º e os 2º colocados nos módulos Verde e Amarelo. O vencedor desse quadrangular seria o Campeão Brasileiro de 1987.

Para resumir o monstrengo, vejamos:

1- O Botafogo de Futebol e Regatas (RJ) que foi o 32º colocado em 1987 e foi rebaixado para o grupo equivalente a 2ª divisão e teria que disputá-la em 1987, foi alçado à 1ª Divisão e no grupo da elite (o Módulo Verde).

2- O Coritiba Foot Ball Club (PR) que foi o 44º colocado em 1987 e foi rebaixado para o grupo equivalente a 2ª divisão e teria que disputá-la em 1987, também foi alçado à 1ª Divisão e no grupo da elite (o Módulo Verde).

3- O Sport Clube do Recife que foi o 44º colocado em 1987 e foi rebaixado para o grupo equivalente a 2ª divisão e teria que disputá-la em 1987, foi alçado à 1ª Divisão, mas no grupo secundário (o Módulo Amarelo). O Sport acabou sendo consagrado o Campeão Brasileiro de 1987.

A participação do Bangu AC.

O Bangu, 21º colocado no Campeonato Brasileiro de 1987, era legítimo dono de uma vaga na 1ª Divisão em 1987; realmente aí ficou, mas em um grupo secundário (Módulo Amarelo). Esse módulo foi dividido em duas Chaves de 8 Clubes cada uma. O Bangu ficou na Chabe B, com



domingo, 19 de novembro de 2017

O 105º aniversário de nascimento do "Divino Mestre"

Introdução: A época, o Brasil, a Cidade do Rio de Janeiro, o Bairro de Bangu e o Bangu Atlético Clube.

Naquele início da segunda década do século XX , a novíssima República do Brasil, (hoje um modelo de fracasso), depois de dezessete anos governada por presidentes civis, voltava às mãos de um militar (Marechal Hermes da Fonseca – 8º Presidente da República), como foi lá no seu nascedouro, entre 1889 e 1894, com os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Seria a volta da “República da Espada”? Não foi*!

Palacio do Catete, sede do governo brasileiro no início do século XX.

Na Cidade do Rio de Janeiro, o Marechal Hermes nomeou para a Prefeitura do Distrito Federal um general: Bento Manuel Ribeiro Carneiro Monteiro (Bento Ribeiro), que assim se tornava o 16º prefeito do DF e por quatro anos tentou, com pouco sucesso, sanear a Economia da Cidade.
Palacete no Campo de Santana, onde funcionava a Prefeitura do Distrito Federal no início do século XX (já demolido).

Em Bangu, inaugurava-se a Igreja de São Sebastião e Santa Cecília e iniciava-se a expansão da Fábrica Bangu, com a construção de um prédio anexo. Também foi nessa época que o Ramal Circular da EFCB começou a ser construído pela Fábrica.
Egreja de São Sebastião e Santa Cecília, inaugurada no início do século XX.

No Bangu a situação estava calamitosa e não fosse a incansável luta do seu atual presidente, o inglês Andrew Procter, o futebol do Bangu teria acabado. Ocorre naquele tempo, a BANGU AC se subordinava a gestão do Casino, que não dava menor atenção aos esportes, concentrando todos os investimentos para as atividades sociais. Felizmente para nós, banguenses mais recentes, em 1911 o Bangu AC separou-se do Casino e no dia 1º de abril tomou posse a nova Diretoria Banguense, tendo a frente James Hartley como presidente (Hugh Graham era o vice-presidente e Andrew Procter o secretário). Iniciou-se aí uma nova fase no Clube e com isso o Bangu voltou ao Campeonato Carioca; não na divisão principal, pois não conseguiu a vaga na seletiva, mas na segunda divisão, da qual sagrou-se Campeão ao vencer o Guarani por WO, no dia 13 de dezembro, recebendo pelo título a Taça Francis Walter (esse feito seria repetido em 1914). Em 1912 o Bangu voltava à Primeira Divisão Carioca, mas foi mal; terminou em 6º lugar, entre os oito clubes disputantes. Mas manteve-se na Primeira Divisão para 1913, quando mais uma vez fracassou, sendo rebaixado à Segunda Divisão para o Campeonato de 1914.
Time do Bangu AC em 1911 - Da esquerda para direita:
Em pé: 1ª fila - Antonio Pereira, Luiz Railson e Antonio Carregal;
Em pé: 2ª fila - Andrew Procter (Secretário), Arlindo, Roldão Maia e Accácio;
Sentados: Loth, Orlando Cardoso, Narciso, Francisco Gomes e Justino.

O início do clã da Guia no Bangu – Luiz Antonio, Ladislau Antonio e Mamede Antonio.

Quando no dia 30/6/1912, o zagueiro (naquela época, beque) Luiz Antonio da Guia (Luiz Antonio: 27 de julho de 1895 – 3 de novembro de 1969) estreava na equipe principal do Bangu, em uma partida contra o Flamengo, pelo Campeonato Carioca da Primeira Divisão, sua mãe estava na metade de uma gravidez e não sabia que em seu ventre já vivia aquele que viria a ser o maior zagueiro do futebol brasileiro e o maior ídolo da história do Bangu Atlético Clube. O irmão mais novo do craque Luiz Antonio nasceria quatro meses e meio depois, no dia 19 de novembro de 1912. Luiz Antonio recebeu da imprensa esportiva carioca o apelido de “o perfeito”; foi Campeão Carioca da Segunda Divisão pelo Bangu, clube pelo qual atuou em 269 partidas, durante 19 anos e 3 meses, sendo esse o recorde brasileiro de permanência de um jogador no mesmo e único clube. Sobre Luiz Antonio da Guia, Mário Filho, em seu livro “O Negro no Futebol Brasileiro” (1947), escreveu: “Luiz Antônio “era mais que um jogador. Era o Clube!”. O zagueiro banguense disputou sua última partida pelo Alvirrubro no dia 27 de setembro de 1931, quando o Bangu venceu o Carioca por 5 x 1.
  
Quando o mais velho dos da Guia estreou no Bangu, já viviam os seus irmãos Ladislau Antonio da Guia, com recém completados sete anos, e Mamede Antonio da Guia, com pouco mais de 1 ano. Ambos viriam a jogar muitos anos pelo Bangu AC.
Luiz Antonio da Guia, "O Perfeito".

Ladislau Antonio da Guia (Ladislau: 27 de junho de1906 - 31 de outubro de 1988) estreou no Bangu no dia  4 de junho de 1922, na vitória do Bangu por 2 x1, sobre o Andaraí. Ladislau, como o irmão mais velho, também foi longevo no Bangu: Atuou em 328 partidas, durante 18 anos e meio (intervalado com certo período, quando jogou pelo Vasco e pelo Flamengo), marcando 223 gols. Foi Campeão Carioca pelo Bangu em 1933 e duas vezes artilheiro do Campeonato Carioca (1930 e 1935). Foi convocado para a Seleção Brasileira mas teve que recusar a convocação pois a distância entre Bangu e as Laranjeiras, com os meios de transporte da época não permitiriam que ele treinasse pelo Bangu e pela Seleção. Decidiu-se pelo Bangu. O grande número do gols que marcava pelo Bangu e a potência do seu chute,valeu-lhe o apelido de “Tijoleiro”. O artilheiro banguense disputou sua última partida pelo Alvirrubro no dia 22 de dezembro de 1940, quando o Bangu perdeu para o Botafogo por 2 x 4
Ladislau Antonio da Guia, "O Tijoleiro".

Mamede Antonio da Guia (Médio: 19 de maio de1911 - 8 de janeiro de 1948) estreou no Bangu no dia  18 de março de 1928, na vitória do Bangu por 3 x1, sobre o Bonsucesso. Médio, jogou pelo Bangu por aproximadamente 9 anos: Atuou em 226 partidas e durante esse período marcou 52 gols. Foi Campeão Carioca pelo Bangu em 1933, atuando com o seu irmão Luiz Antonio. Médio disputou sua última partida pelo Alvirrubro no dia 25 de outubro de 1943, quando o Bangu venceu o São Cristóvão por 3 x 1. O ex meio campista banguense teve morte trágica, suicidando-se no interior do no Quartel da Polícia Especial, onde servia como “guarda”, no dia 8 de janeiro de 1948.
Mamede Antonio da Guia, Médio.
O “Divino Mestre” - Domingos da Guia, o quarto irmão, o craque.

“O Bangu tem também sua história e sua glória, enchendo seus fãs de alegria. De lá pra cá, surgiu Domingos da Guia”. Esses versos escritos por Lamartine Babo, contidos no Hino do Bangu, imortalizaram o maior zagueiro (naquela época, beque) do futebol brasileiro.



Domingos Antonio da Guia (Domingos da Guia: 19 de novembro de1912 - 18 de maio de 2000) estreou no Bangu no dia  28 de abril de 192829, na vitória do Bangu por 3 x1, sobre o Flamengo. Domingos da Guia, jogou pelo Bangu por aproximadamente 5 anos: Atuou em 133 partidas e durante esse período marcou 3 gols. Nunca foi expulso atuando pelo Alvirrubro, nem tampouco campeão; deixou de ganhar o Campeonato Carioca de 1933, pois em 1932, contrariando os pedidos dos irmãos, deixou o Bangu para ir jogar no Vasco.

Domingos Antonio da Guia, "O Divino Mestre".
Além do Bangu, o “Divino Mestre” atuou pelo Vasco da Gama (onde, na sua segunda passagem pelo clube, foi campeão em 1934), pelo Nacional do Uruguai (onde foi campeão em 1933), pelo Boca Juniors da Argentina (onde foi campeão em 1935), Flamengo (onde foi campeão em 1939, 1942 e 1943) e Corinthians (onde foi campeão da Taça Cidade de São Paulo em 1947 e 1948), de onde retornou ao Alvirrubro, em 1948 (para assinar o contrato com o Corinthians, em 1944, o craque fez uma exigência: o Clube Mosqueteiro teria obrigatoriamente de lhe conceder o “passe livre”, caso ele optasse em retornar ao Bangu; assim foi feito).
Charge de Domingos da Guia no Boca Juniors da Argentina

Domingos da Guia disputou a Copa do Mundo de 1938, na França, pela Seleção Brasileira. Infelizmente foi responsabilizado pela eliminação dos brasileiros, na derrota brasileira para a Itália, pelas semifinais, por 2 x 1, no dia 16 de junho de 1938. Os críticos acusaram Domingos ter cometido “infantilmente” o pênalti no atacante italiano Silvio Piola (vice artilheiro da competição, com 5 gols), que foi convertido no gol da vitória da Azurra.
Charge de Domingos da Guia na Seleção Brasileira.
Pela Seleção Brasileira também disputou e vencer a Copa Rio branco, em 1931 e 1932, e a Copa Roca em 1945.
Domingos, pela Seleção Brasileira na Copa da França, em 1938.
O “Divino Mestre” disputou sua última partida pelos profissionais do Alvirrubro, em uma partida festivo na cidade serrana de Petrópolis, que serviu como jogo de despedida do craque, no dia 5 de fevereiro de 1950 na inauguração do Estádio do Cruzeiro do Sul Futebol Clube, quando o Bangu venceu o Flamengo por 3 x 1, ganhando a Taça Euvaldo Lodi.
Domingos da Guia encerrando a carreira no seu retorno ao Bangu.
O maior zagueiro do futebol brasileiro de todos os tempos, ainda voltou a vestir a venerável camisa alvirrubra em 1954, mas não como profissional. Foi Campeão Carioca de Veteranos (hoje Masters), atuando pelo Bangu AC.

Domingos da Guia faleceu no dia 18 de maio de 2000, no bairro do Méier, Zona Norte da Cidade do Rio de Janeiro, vítima de um derrame cerebral.

Nas comemorações do Centenário do Bangu Atlético Clube (17 de abril de 1904 – 17 de abril de 2014) Domingos da Guia foi novamente imortalizado. Foi inaugurado no Calçadão de Bangu um busto do “Divino Mestre), com 70 cm de altura e pesando 70 kg, sobre um pedestal de granito. A partir desse evento, esse percurso da Av. Cônego de Vasconcelos passou a se chamar Calçadão Domingos da Guia.
Estátua do "Divino Mestre" Domingos da Guia, em Bangu.
(Obra de autoria do artista plástico e grande banguense, Clécio Régis)
O Busto foi feito pelo artista plástico e grande banguense, Clécio Régis, que fez a doação da obra aos banguenses, arcando com todas as despesas para a execução do trabalho.

Completa-se o clã dos da Guia.

Em 1959, um jovem deixava a equipe de natação do Bangu AC, onde fora Campeão Juvenil em 1954, para praticar um novo esporte, o futebol. Das piscinas do Parque Aquático do Bangu, para o gramado do Estádio Proletário foi uma mudança que pouco se fez sentir no jovem de de 6 anos, que agora fazia parte da equipe juvenil do Clube.

Ademir da Guia (o N), com 13 anos, na equipe de natação do Bangu, Campeã Juvenil.
Esse jovem era Ademir da Guia, filho do grande ídolo Banguense Domingos da Guia. Já no primeiro ano no futebol, em 1959, o jovem da guia conduzia a equipe do Bangu na conquista do Campeonato Carioca de Juvenis.

Ademir da Guia e seu pai, Domingos da Guia. "O Divino" e "O Divino Mestre".
Em 1960, com apenas 17 anos, já estava incorporado ao elenco de profissionais do Bangu e foi incluído pelo técnico Tim na delegação que viajaria aos Estados Unidos para disputar a International Soccer League, em Nova Iorque.

O Bangu AC, foi o Campeão Invicto e Ademir da Guia eleito o melhor jogador da Competição.
Ademir da Guia, "O Divino", Campeão pelo Bangu em Nova Iorque.

Em 1961 o "passe" do jogador foi vendido ao Palmeiras pela bagatela de 4,5 milhões de cruzeiros (padrão monetário brasileiro da época). Ruim para o Alvirrubro, que perdeu um craque e ganhou pouco dinheiro, e bom para o Palmeiras, que com pouco investimento levou para o Parque Antártica um craque de futebol refinado, com apenas 19 anos e um futuro promissor.
Charge de Ademir da Guia no Palmeiras.
Por suas atuações em todas as competições vencidas pelo Verdão, de 1963 a 1976, recebeu o apelido de "O Divino".

Ademir da Guia estava no elenco da Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, mas não lhe foi dada oportunidade de jogar, pelo técnico Zagalo. 
Ademir da Guia na Seleção Brasileira, para disputa do 3º lugar contra a Polônia.
(Copa do Mundo de 1974, na Alemanha)
*Após findo o governo de Hermes da Fonseca, em 1914, houve continuidade na chamada "POLÍTICA DO CAFÉ-COM-LEITE", na qual políticos paulistas, do PRP (São Paulo o grande Produtor de café) e mineiros, do PRP (Minas Gerais grande produtor de leite) governaram o país, desde Campos Sales (1898), até a revolução de 1930, que derrubou o governo de Washington Luís e não permitiu a assunção do paulista Júlio Prestes. Findou-se assim a chamada "República Velha".

<TEXTO PRÓPRIO E INÉDITO>

Fontes:

sábado, 6 de agosto de 2016

Em 6 de agosto de 1960, um sábado, o Bangu se tornava o primeiro Clube brasileiro Campeão do Mundo Interclubes

O Sr. William "Bill" Cox, um americano amante do futebol e que possuía grande fortuna, decidiu criar a International Soccer League, que na realidade não era uma "Liga de Clubes de Futebol" e sim uma "Competição". A primeira "International Soccer League" foi realizada em 1960, entre os dias 4 de julho (dia da Independência dos Estados Unidos) e 6 de agosto (dia da Partida Final da competição).
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A bela "Challenge Cup", que seria entregue ao
 Campeão da International Soccer League de 1960

De acordo com os jornais  The New York Times e O Estado de São Paulo, ambos que circularam em 24 de maio de 1961, a competição tinha a autorização da FIFA. Essa autorização foi ratificada por Stanley Rous, então presidente da Associação Inglesa de Futebol, secretário-geral e vice-presidente da FIFA (posteriormente, de 1962 até 1974, presidente da FIFA). No site oficial da FIFA há alusão à International Soccer League.

No site FIEL CORINTHIANO podemos encontrar uma publicação, cujo título confirma a grandiosidade da International Soccer League de 1960: "International Soccer League: mais 'Mundial' que a Copa Toyota".

Foram convidados 10 clubes da Europa e 1 clube da América do Sul (no caso do Brasil, o atual campeão mundial). Para completar o total de 12 agremiações, foi criado um "time" que representaria os Estados Unidos, formado basicamente por imigrantes e que se chamaria New York Americans.

Foram 6 campeões europeus (Inglaterra, Grança, Irlanda do Norte, Suécia Áustria e Iugoslávia), 2 vice-campeões europeus (Escócia e Portugal), um terceiro colocado europeu (Alemanha) e um quinto colocado europeu (Itália). 

* Representante da América do Sul:
- Coube ao Brasil, atual Campeão do Mundo de Seleções, indicar 1 representante para o Continente Sul-Americano. Como naquela época não existia um Campeonato Nacional, foi indicado o campeão do Rio de Janeiro de 1959, o Fluminense Futebol Clube, que não aceitou o convite para disputar o Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Foi feito o convite à Sociedade Esportiva Palmeiras, campeão de São Paulo, que também não aceitou o convite, pelos mesmos Motivos do Fluminense. Então convidaram o Bangu Atlético Clube, vice-campeão do Rio de Janeiro de 1959, que aceitou o convite, soube aproveitar a grande oportunidade de perticipar de uma competição de alto nível,  preparou-se convenientemente e culminou com a conquista do título.

** Representante da América do Norte:
- Para representar o Continente Norte-Americano, o país anfitrião foi criou, especialmente para a competição, um "time de futebol" denominado The New York Americans, que seria seu representante na competição.

Os 12 clubes foram divididos em 2 grupos (A e B), com 6 equipes em cada um deles.

Grupo A
Burnley Football Club
Olympique Gymnaste Club de Nice Côte d'Azur
Glenavon Football Club
Kilmarnock Football Club
Fußball-Club Bayern München
The New York Americans
Grupo B
Idrottsföreningen Kamraterna Norrköping
Sport Klub Rapid Wien
Sport Klub  Estrela Vermelha de Belgrado
Sporting Clube de Portugal
Bangu Atlético Clube
Unione Calcio Sampdoria

Os jogos do Bangu na fase de grupos, foram:

Dia 4 de Julho Bangu 4 x 0 Sampdoria
Estádio Polo Grounds - 18.144 pagantes
Dia 10 de Julho Bangu 3 x 2 Rapid Wien
Estádio Polo Grounds - 19.804 pagantes
Dia 16 de Julho Bangu 5 x 1 Sporting
Estádio Polo Grounds - 8.441 pagantes
Dia 20 de Julho Bangu 0 x 0 IFK Norrköping
Estádio Polo Grounds - 12.338 pagantes
Dia 31 de Julho Bangu 2 x 0 Estrela Vermelha
Estádio Polo Grounds - 20.107 pagantes

Formação no jogo Bangu 4 x 0 Sampdória
Em pé: Joel, Ubirajara, Darci Faria, Ananias, Zózimo, Nilton dos Santos.
 Agachados: Correia, Zé Maria, Luís Carlos, Ademir da Guia e Beto.
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A Classificação final da fase de grupos foi:










De acordo com a classificação dos Grupos A e B, se classificaram para a final o Kilmarnock Football Clube, da Escócia (1ª colocado do Grupo A), e o Bangu Atlético Clube, do Brasil (1º colocado do Grupo B).
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Cartaz promocional da partida decisiva da
 1ª Internacional Soccer Leaguer
Nova Iorque - 1960.
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A partida decisiva:
Sábado, dia 6 de agosto de 1960: Bangu A C  2 x  0 Kilmarnock F C
Estádio Polo Grounds - 25.440 pagantes

Kilmarnock Football Club jogou e perdeu com Brown, Richmond e Watson; Frak Beattie, Bill Toner e Bobby Kennedy; Brown, McInally, Wentzel, Bert Black e Billy Muir.

O Bangu jogou e venceu com Ubirajara, Joel e Darci Faria; Zózimo, Ananias e Nilton dos Santos; Correia, Zé Maria, Décio Esteves, Válter e Beto. O técnico banguense era Tim (Elba de Pádua Lima).

Os dois gols da vitória banguense foram marcados por Valter, um no primeiro tempo e outro no segundo tempo.
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Recorte do jornal The New York Times que circulou no domingo, 7 de agosto de 1960
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Os artilheiro da competição foi Tudor Veselinovic, do Estrela Vermelha, com 6 gols.
Os vice-artilheiros foram Zé Maria e Luis Carlos, do Bangu e Pilkington, do Burnley, ambos com 5 gols.

O atleta escolhido como o Melhor Jogador (Most Valuable Player) da competição, eleito pela "Comissão Organizadora" da International Soccer League , foi o brasileiro Ademir da Guia (18 anos), do Bangu.
O segundo Melhor Jogador eleito foi o americanoAlf Sherwood, do The New York Americans.

A delegação banguense era composta por 22 membros, entre eles 17 jogadores.

Diretoria, Comissão Técnica e Convidado:
Chefe da delegação: Sérgio Vasconcelos 
Médico: Dr. Ivon Cortes
Jornalista Convidado: Antônio Cordeiro (Rádio Nacional)
Presidente do Clube: Maurício Cesar Buscácio
Treinador da Equipe Tim (Elba de Pádua Lima)

Jogadores:

1 –  Ubirajara Gonçalves Motta (Ubirajara)
2 –   Joel Martins da Fonseca (Joel)
3 –  Darci José de Faria (Darci Faria)
4 –  Zózimo Alves Calazans (Zózimo
5 –  Ananias Cruz (Ananias)
6 –  Nilton dos Santos
7 –  José Correia Ferreira (Correia)
8 –  José Maria da Silva (Zé Maria)
9 –   Décio Esteves da Silva (Décio Esteves)
10 – Válter Lino dos Santos (Valter)
11–  Carlos Alberto de M. Ramalho (Beto)
12 – Aílton Caldas (Ailton)
13 – Mário Tito
14 – Paulo César de M. Fortes (Paulo Cesar)
15 – Ademir Ferreira da Guia (Ademir da Guia)
16 – Luís Carlos de M. (Luiz Carlos)
17 – Durval Santana de Carvalho (Durval)

Fontes: BANGU.NET / FIEL CORINTHIANO / HISTÓRIA(S) DO SPORT / WEIKIPÉDIA